Olá, pessoal! Tudo beleza? Que tal a gente falar um pouquinho sobre essa

que é uma das áreas que mais me fascinam na fotografia? Confira já umas imagens:

E aí, bora fotografar a Via Láctea?! 😊

Esse artigo é está relacionado com o vídeo que enviei no canal Sobre Foto do YouTube! Caso não tenha visto, aperta o play aí e confira!

Fotografar estrelas sempre foi uma área do meu interesse, principalmente quando comecei a fotografar. Adorava apontar minha tele pro céu no meio da noite, mesmo estando em um perímetro urbano. Bom, imaginem quando tive minha primeira experiência de fotografar a Via Láctea! 😃 O post de hoje terá como objetivo mostrar como faço para captar esse tipo de foto.

1 – Equipamento

Pra começar, já vou falar de equipamento. Dos usados aqui, basicamente consiste em:

  • Câmera DSLR (Com capacidade de usar ISO mais altos, 1600, 3200)
    • Dá pra fazer com câmeras mais simples e até compactas, mas o resultado fica um pouco diferente. Fica a promessa aqui de mostra isso futuramente!
    • Aqui utilizei na maior parte do tempo uma 5D mark III com uma lente Canon 15mm f/2.8. Na mesma noite, utilizei também as câmeras 6D e 70D, lentes 8-15mm f/4 e 10-18mm f/4.5-5.6
  • Lente aberta (menor ou o mesmo que f/2.8)
  • Lente grande angular
    • Pra praticamente todas as fotos aqui eu usei uma fisheye 15mm f/2.8
  • Temporizador/intervalômetro (dá pra sobreviver sem)
    • Tamém conhecido como ‘Remote Control Shutter Release’, é de um uso bem específico e só foi usado em algumas imagens aqui.
  • Tripé bem resistente
    • Além do corpo do tripé, é interessante usar uma cabeça do tipo ball head, pra não ter que se preocupar em nivelar com as pernas.
  • Iluminação
    • Luz de led/outras fontes e que tenha um respectivo tripé pra te dar liberdade na hora de criar.

2 – Ambiente

O local que estávamos era a chácara do meu tio, que fica uns 30km de Bela Vista de Goiás e 70km de Goiânia. Fomos pra um lugar afastado assim pois a iluminação da cidade atrapalha muito a visibilidade das estrelas.

Outro ponto importante foi a ausência da lua, utilizamos um calendário lunar, ja que se tivesse presente, ela iluminaria grande parte do céu, prejudicando também nossa visibilidade.

A presença de nuvens no céu também pode atrapalhar, então fique atento à isso! 🙂

3 – A fotografia

Chegamos no ponto alto do post, o momento de fazer nossa fotografia. Vou colocar um passo a passo, assim como costumo escrever nas dicas de fotografia lá no instagram:

  1. Observar: Considerando que você já está em um local apropriado (no meio do mato e com pouca ou nenhuma iluminação) para fotografar, é hora de encontrar uma composição bacana pra nossa fotografia. Dê uma andada pelo local e veja o que tem de interessante. Recomendo construções abandonadas, porteira, árvores, rochas, plantações ou até mesmo o horizonte. Tudo vale na hora de criar!
  2. Lente: encontrado o que fotografar, é hora de ver o equipamento, começando com a lente. Dê preferência por lentes mais abertas, tanto em AOV (ângulo de visão), quanto em abertura (f/2.8). Lentes como a 50mm f/1.8, são claras, mas ao utilizar longas exposições de 15, 30 segundos, destacarão muito os rastros das estrelas, e não é necessariamente o efeito que estamos buscando. Estou usando aqui uma Canon 15mm f/2.8 fisheye em quase todas as fotos, mas você pode utilizar outras, como:
    • Tamron 17-50mm f/2.8
    • Rokinon 14mm f/2.8
    • Sigma 15mm f/2.8
    • Rokinon 8mm f/3.5
    • Canon 16-35mm f/2.8
    • Nikon 16mm f/2.8 fisheye
    • Nikon 14-24mm f/2.8
  3. Velocidade lenta: Vamos utilizar longa exposição (15, 20, 30 segundos), por isso, posicione bem e deixe firme para que não haja variações no momento da foto. Outra coisa que vai te ajudar a não tremer é usar o timer (2 segundos / 10 segundos) para o disparar do seu dedo não interferir na fotografia.
  4. Foco: primeiramente, desative o foco automático da sua lente. Depois disso, aumente o brilho do LCD e ative o modo e ‘live view‘, você irá ver um céu todo escuro e cheio de ruído. Aproxime com o zoom digital da máquina nesse preview e tente encontrar algumas estrelas (pode ir se orientando olhando para o céu, dá pra enxergá-las a olho nu). Varie o foco manual para ter certeza de que é uma estrela e não um ruído qualquer. Deixe o tamanho da estrela / ‘bolinha’ no tamanho mínimo que a foto sairá em foco!
  5. Foto de teste: é importante fazer pra não ter que esperar os 30 segundos (ou até mais) pra ver que aquela é uma boa foto. Aumente o ISO no máximo, deixe a velocidade menor (2 ou 5  segundos), dispare e veja duas coisa: (1) se a composição tá bacana e (2) certificar que a fotografia está em foco (aproxime pra ter mais detalhes).
  6. Caso queira iluminar: para as fotografias que você decidir usar uma fonte de luz externa para iluminar o ambiente, faça outra foto de teste, só que dessa vez com as configurações normais (sem aumentar o ISO) e também sem a fonte de luz externa. Isso serve pra ter certeza de que a presença do céu está bacana na imagem. Depois disso, existem duas formas de usar: (1) Deixe a câmera em um timer de 10 segundos, ativo, vá para local que queira iluminar, a câmera começará a bater a foto (30 segundos), e vá iluminando o ambiente com o led / lanterna do celular (varia conforme o assunto) e esconda o led quando imaginar que está ok. (2) A outra forma é deixar o Led em um tripé já posicionado na cena e com uma potência bem fraquinha, suficiente pra não estourar a foto em longa exposição.
  7. RAW. Lembre-se de sempre fotografar em RAW, isso pq precisamos disso para a pós produção. Em condições de pouca luz, ele nos permite mais abrangência na hora de recuperar as informações do ambiente.

4 – Pós produção

Essa, sem dúvida, é uma parte muito importante do processo, que inclusive requer um post dedicado para tal. Porém vou colocar um exemplo pra te dar uma ideia. Confira uma das imagens SEM tratamento ao lado da mesma COM tratamento:

Utilizo o Adobe Lightroom tanto para selecionar, quanto para tratar as fotos. Não utilizei o Photoshop nessas imagens.

Como podemos perceber, a parte mais notável é a temperatura menos amarelada. Além disso, a foto está mais clara, com mais contraste e sem muitas vinhetas. Ou seja, várias alterações foram feitas, mas nada que seja impossível de conseguir, é um tratamento relativamente simples. E para ilustrar melhor, vou colocar todas as configurações que mexi lá.

1111_mw

Correções principais: exposição, contraste, realces, sombras, brancos, pretos e claridade.

1112_mw

Aqui reduzi um pouco dos ruídos, ativei a correção de perfil da lente (15mm fisheye), que acabei ignorando a correção da distorção, do contrário tudo ficaria retilíneo.

1113_mw

Uma correção mínima, mas importante, retirar um pouco da aberração cromática e da matiz verde. Fiz o processo manualmente, pois gostei mais do resultado.

E que tal você mesmo tratar essa imagem no seu Lightroom aí? Clica aqui e baixe o RAW. 😊

Lembrando que, existe diversas situações para o tratamento (presença de muito ruído, pouca iluminação, etc), por isso farei um vídeo e post abordando esse assunto. Mas basicamente, esse é o processo que eu faço para esse tipo de foto!

5 – Conclusão

Bom, fazer fotografia da Via Láctea é um conjunto de várias emoções, a turma que se reúne, a noite varada, as inúmeras fotos feitas, a admiração constante da natureza sem a presença exagerada da civilização. Certamente é só o começo, há diversos locais para serem explorados com esse tipo de fotografia, e eu espero conhecer vários. E você? =]

About The Author

Edilson Borges

Fotógrafo, desenvolvedor, fascinado em tecnologia e produtor de conteúdo pro YouTube, e demais redes, nos canais: Sobre Foto e Dicas do Ed!

  • André Freitas

    Você é o melhor fotógrafo que eu conheço!

  • Bondade sua, meu brother! Tamo junto 🙂

  • Jeferson Trajano

    Demais mano, vlw mesmo!
    Vc é o kra!